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Multas e Corrupção: O país onde apenas o cidadão comum é punido

Cid Teixeira

  No Brasil, uma simples foto de um radar é suficiente para gerar uma multa e punir um motorista, enquanto um vídeo explícito de corrupção não serve para condenar ninguém. A disparidade entre a eficiência na fiscalização do trânsito e a impunidade no combate à corrupção escancara a seletividade da Justiça e o descompasso moral do país.

    Casos emblemáticos ilustram essa realidade. O ex-presidente Lula foi condenado, preso e, posteriormente, teve suas condenações anuladas, permitindo seu retorno ao poder. José Dirceu, José Genoino e diversos executivos da Odebrecht, outrora símbolos do maior esquema de corrupção já investigado no Brasil, hoje estão em liberdade. O ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, condenado a mais de 400 anos de prisão, agora desfruta de sua liberdade com a possibilidade de disputar novamente um cargo público.

    O problema não está na falta de provas, mas na falta de vontade de punir. Gravações, delações e documentos que expuseram um sistema corrupto foram desconsiderados, jogados no esquecimento por decisões jurídicas questionáveis. Enquanto isso, o cidadão comum continua sujeito a um rigor implacável, punido sem piedade por infrações muito menos graves do que aquelas cometidas nos bastidores do poder.

    A sensação de impunidade não é uma mera impressão, mas um retrato fiel do país onde a corrupção não só compensa, como também abre portas para um retorno triunfal. A verdade é uma só: todos voltaram à cena do crime.

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