Ubá, 25 de fevereiro de 2026 – O município de Ubá enfrenta uma das maiores tragédias climáticas de sua história recente. Entre a noite do dia 23 e a madrugada do dia 24 de fevereiro, aproximadamente 174 milímetros de chuva foram registrados em cerca de três horas e meia, provocando o transbordamento do Rio Ubá, alagamentos de grande proporção e danos estruturais severos em diversas regiões da cidade.
Vítimas e impacto social
Até o momento, a Prefeitura confirma 06 óbitos — três mulheres (32, 65 e 75 anos) e três homens (45 e 74 anos). Há ainda 02 pessoas desaparecidas, e as buscas continuam.
O levantamento social aponta:
• 16 pessoas desabrigadas acolhidas em abrigos públicos;
• 178 pessoas desalojadas, temporariamente em casas de familiares e amigos.
Equipes da Secretaria Municipal de Saúde atuam nos abrigos com médico, enfermeiro e técnico de enfermagem, garantindo acompanhamento permanente às famílias.
Infraestrutura comprometida
O volume intenso de água provocou a interdição de 10 pontes urbanas, incluindo acessos estratégicos da cidade, além de 31 pontes rurais danificadas.
As comunidades de Ubari e Zueira permanecem isoladas, com equipes trabalhando para restabelecer o acesso.
Engenheiros, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Assistência Social realizam vistorias técnicas em bairros como Santa Alice, Industrial e região Central, avaliando riscos estruturais e possíveis remoções preventivas.
Saúde e serviços públicos
Unidades como Policlínica Regional, Centro de Especialidades Odontológicas e uma unidade de atenção primária tiveram funcionamento comprometido devido à lama e aos alagamentos.
As Unidades Básicas de Saúde funcionam de forma excepcional, priorizando urgências. Atendimentos odontológicos emergenciais estão concentrados nos bairros São José, Bom Pastor, Xangrilá, Ponte Preta e Peluso.
Energia e abastecimento
O fornecimento de energia elétrica está praticamente normalizado, com cerca de 1% da cidade ainda afetado, especialmente em áreas mais atingidas.
A ETA Peixoto Filho opera com abastecimento 100% restabelecido, enquanto a unidade da Miragaia tem previsão de normalização total até o fim do dia. A orientação é de uso consciente da água.
Mobilização e limpeza
A Prefeitura mobilizou seis equipes, com 15 retroescavadeiras e 20 caminhões, concentrando esforços na Avenida Beira Rio e em outros pontos críticos.
O decreto de calamidade pública foi assinado pelo prefeito José Damato Neto. O governador Romeu Zema visitou a região e anunciou apoio estadual. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu a situação de calamidade e determinou envio da Força Nacional do SUS.
Nesta quarta-feira, o Exército Brasileiro chegou ao município com 110 militares, incluindo equipes de engenharia, para reforçar os trabalhos de apoio logístico, organização e recuperação das áreas afetadas.
Doações e apoio humanitário
Doações de água potável, alimentos não perecíveis, materiais de higiene e limpeza podem ser entregues na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e na Câmara Municipal.
Também é possível contribuir via PIX, por meio da conta oficial da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social.
Estado de atenção
A previsão meteorológica indica possibilidade de novas chuvas entre 40 e 60 milímetros, mantendo o município em alerta.
A Defesa Civil orienta:
• Não transitar por áreas alagadas;
• Respeitar interdições;
• Buscar informações apenas por canais oficiais.
A cidade segue em mobilização total, com prioridade na preservação de vidas, assistência às famílias atingidas e reconstrução da infraestrutura urbana.