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O grito do comércio de Ubá

A reunião realizada na Prefeitura de Ubá com comerciantes atingidos pela enchente não foi apenas mais um encontro institucional. Foi, na verdade, um retrato fiel do sentimento de quem perdeu muito e ainda espera respostas.

Mais de 30 empresários estiveram presentes. Gente que viu mercadoria ir embora, loja ser tomada pela lama e, em muitos casos, o trabalho de anos desaparecer em poucas horas. E quando essas pessoas têm a oportunidade de falar, o que aparece não é só reclamação. É desespero, frustração e cobrança.

Um dos relatos mais marcantes foi de um comerciante que disse já ter enfrentado seis enchentes e nunca ter recebido apoio do poder público. Isso diz muito. Não é apenas sobre o que aconteceu agora, mas sobre um histórico que parece se repetir.

Durante a reunião, ficou claro que o problema não é só o recurso — é a confiança.

Quando se fala em um auxílio de R$ 10 mil para cerca de 200 empresários, diante de um cenário que pode envolver até 900 estabelecimentos afetados, surge uma pergunta inevitável: quem vai ficar de fora?

E mais: quais são os critérios?

A proposta apresentada pelo poder público, explicada por Pedro Augusto Waquim, ainda depende de regulamentação por decreto. Ou seja, o dinheiro existe, mas a forma de distribuição ainda gera dúvidas. E quando não há clareza, o que cresce é a desconfiança.

A fala de uma comerciante resume bem esse sentimento: como mobilizar apoio, arrecadação ou até mesmo acreditar no processo, se não há transparência clara sobre o que será feito?

A assessora Andreza Fernandez tentou acalmar os ânimos, explicou pontos do processo e reforçou que o prefeito Professor José Damato Neto estava em reunião tratando justamente desse assunto. Mas, naquele momento, o que muitos queriam não era explicação técnica — era segurança.

Segurança de que não serão esquecidos.

Segurança de que haverá critério justo.

Segurança de que a ajuda vai chegar a quem realmente precisa.

O ponto central não é nem o valor do auxílio. É a confiança no processo.

Porque quando o cidadão começa a sentir que está “no escuro”, como foi dito na reunião, o problema deixa de ser financeiro e passa a ser institucional.

Ubá vive um momento delicado. A cidade precisa reconstruir ruas, pontes, casas… mas também precisa reconstruir a confiança entre o poder público e quem move a economia local.

E isso não se faz apenas com promessas.

Se faz com transparência, clareza e, principalmente, com diálogo verdadeiro.

A reunião do dia 24 pode ser um novo capítulo. Mas a expectativa é grande.

Porque, no fim das contas, o comércio não está pedindo privilégio.

Está pedindo resposta.

Pronto, falei.

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