PUBLICIDADE

Talvez você seja um misógino

O Senado Federal aprovou um projeto que inclui a misoginia como crime de preconceito, com pena de 2 a 5 anos de prisão. A proposta (PL 896/2023) agora segue para a Câmara dos Deputados.

Até aí, muita gente vai dizer: “é para proteger as mulheres”. E proteger mulheres contra violência é, sim, necessário.

Mas a pergunta que pouca gente está fazendo é outra:

Quem define o que é misoginia?

A lei aprovada define misoginia como “ódio ou aversão às mulheres”.

Agora vamos pensar com calma.

“Odio” é algo claro quando há violência, ameaça ou agressão. Mas…

e a “aversão”?

Aversão pode ser:

• uma opinião

• uma crítica

• uma discordância

• até uma piada mal colocada

Ou seja, entramos em um terreno perigoso:

o da interpretação subjetiva.

Imagine algumas situações:

• Um homem critica uma pauta feminista → misoginia?

• Discorda de uma política pública voltada para mulheres → misoginia?

• Faz um comentário considerado “duro” → misoginia?

Depende de quem julga.

E quando depende de quem julga…

deixa de ser regra clara e vira percepção.

Mas calma, vão dizer:

“Ah, mas ninguém vai ser preso por qualquer coisa.”

Será?

A própria tentativa de incluir no texto uma proteção para manifestações artísticas, religiosas, jornalísticas e acadêmicas foi rejeitada.

Ou seja:

nem isso ficou garantido de forma explícita.

E aqui entra a ironia:

Agora você pode acordar, dar bom dia, postar algo na internet…

e talvez — só talvez — alguém decida que você é um “misógino”.

Parabéns. Você nem sabia, mas já pode estar cometendo um crime.

Enquanto isso, o Brasil continua com problemas graves:

• violência real

• criminalidade crescente

• impunidade em diversos setores

Mas a solução apresentada é ampliar uma lei com um conceito aberto, que pode ser esticado conforme a interpretação.

Não se trata de defender desrespeito.

Não se trata de passar pano para violência.

Trata-se de algo muito mais sério:

segurança jurídica

liberdade de expressão

limites do Estado

Porque quando uma lei não é objetiva, ela deixa de punir apenas culpados…

e passa a ter potencial para atingir qualquer um.

Hoje, o alvo pode ser o “misógino”.

Amanhã… pode ser simplesmente quem pensa diferente.

E é por isso que a pergunta mais importante não é se você concorda com a lei.

A pergunta é:

Você tem certeza de que nunca será enquadrado nela?

Pronto, falei.

Mais recentes

PUBLICIDADE

Rolar para cima